
Semana de Arquitetura e Urbanismo da UNINOVE debate habitação para quem mais precisa
Entre os dias 27 e 30 de abril, o curso de Arquitetura e Urbanismo da UNINOVE promoveu a Semana de Arquitetura e Urbanismo 2026, reunindo docentes, estudantes e especialistas para discutir um dos maiores desafios urbanos da atualidade: a produção de moradia adequada para a população de baixa renda. Com o tema “Moradia adequada: formas de produzir e transformar a cidade para quem mais precisa”, o evento promoveu reflexões sobre modelos habitacionais mais humanos, sustentáveis e socialmente inclusivos.
A programação contou com palestras de profissionais e organizações que atuam diretamente em projetos de habitação social e transformação urbana. Participaram do encontro No Yume e Aline Vicente Cavanus, da USINA; Camila Jordan, da TETO Brasil; Gustavo Partezani Rodrigues, da Teen Imobiliário; e Aline Araujo, do FICA. Cada apresentação trouxe experiências concretas sobre diferentes formas de enfrentar o déficit habitacional brasileiro, evidenciando que o problema da moradia não possui solução única, mas exige um conjunto articulado de políticas públicas, iniciativas privadas, participação popular e atuação multidisciplinar.
Ao longo da semana, ficou evidente que a discussão sobre habitação vai muito além da construção de imóveis. O debate abordou aspectos fundamentais da moradia adequada, como segurança da posse, acesso à infraestrutura básica, economicidade, habitabilidade, acessibilidade, localização e adequação cultural. Os especialistas ressaltaram que garantir moradia digna significa também assegurar acesso à saúde, educação, mobilidade, trabalho e qualidade de vida.
No primeiro dia do evento, No Yume e Aline Vicente Cavanus apresentaram a experiência da USINA na produção participativa de moradias sociais por meio de mutirões. O modelo chamou atenção pela forte participação das famílias em todas as etapas do processo, desde o planejamento até a permanência nas unidades habitacionais. Além da qualidade arquitetônica e urbana dos projetos, destacou-se o cuidado contínuo com as famílias atendidas, fortalecendo vínculos comunitários e promovendo inclusão social.
No dia 28 de abril, Camila Jordan apresentou o trabalho desenvolvido pela TETO Brasil em territórios altamente vulneráveis. A organização atua na construção de moradias emergenciais modulares e soluções de saneamento básico para famílias em situação de extrema vulnerabilidade. A palestra evidenciou como melhorias rápidas nas condições de moradia podem impactar diretamente a saúde, a renda e a qualidade de vida das comunidades atendidas.
Já no dia 29, Gustavo Partezani Rodrigues abordou a experiência da Teen em projetos de Parceria Público-Privada voltados à habitação social em São Paulo. O modelo apresentado mostrou como a articulação entre poder público e iniciativa privada pode oferecer moradias bem localizadas, com acesso à infraestrutura urbana e oportunidades de desenvolvimento social. A discussão reforçou a diferença entre a simples produção imobiliária e a prestação efetiva de um serviço de moradia social estruturado e permanente.
Encerrando a programação, Aline Araujo apresentou a atuação do FICA, iniciativa voltada ao aproveitamento de imóveis subutilizados em regiões centrais para oferta de aluguel social. O projeto propõe uma nova lógica de ocupação urbana, conectando imóveis ociosos a famílias em situação de vulnerabilidade, com acompanhamento social e foco na melhoria das condições de vida. A experiência demonstrou como soluções inovadoras podem contribuir para reduzir desigualdades urbanas e ampliar o acesso à moradia digna.
Para a comunidade acadêmica, o evento reforçou o papel central de arquitetos e urbanistas não somente como projetistas, mas também como articuladores sociais e formuladores de soluções sustentáveis e resilientes para as cidades do presente e do futuro.




